Feita de Sertão,
de amarelo com azul,
de terra com céu.
É o pé no chão
no pé de chão.
O chão na palma da mão.
O plano é árido
E tem sempre um plano
E um bussola que aponta pra si.
Dono do que faz.
Manda recado
Faz promessa
Mata a sede com abundância.
Enchente de fé.
A espera é ao som de grilo
grilos que vivem
no melhor pedaço do mundo.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Alimento
Para fazer um livro
daqueles gordinhos
de poema
Tem que passar muita fome,
e quando comer
mastigar muito pra engolir.
Caso o contrario,
se faz sem ser
fica barrigudo, mas desnutrido.
Eu ainda tô na engorda.
daqueles gordinhos
de poema
Tem que passar muita fome,
e quando comer
mastigar muito pra engolir.
Caso o contrario,
se faz sem ser
fica barrigudo, mas desnutrido.
Eu ainda tô na engorda.
Júlia Carvalho
Andorinha
O universo, mesmo infinito,
não é celeste depois do céu.
As palavras, mesmo finitas,
só acabam depois que transbordam e molham o pé de quem a gente ama.
A gente é isca
a vida é peixe: escorregadia e sem pálpebras.
Vida não dorme,
só balança.
Quando não derruba, nina a gente em seu colo.
Somente os bichos sabem para onde vão.
Afinal, passarinho canhoto não voa torto.
E uma andorinha só diz: vocês verão.
As palavras, mesmo finitas,
só acabam depois que transbordam e molham o pé de quem a gente ama.
A gente é isca
a vida é peixe: escorregadia e sem pálpebras.
Vida não dorme,
só balança.
Quando não derruba, nina a gente em seu colo.
Somente os bichos sabem para onde vão.
Afinal, passarinho canhoto não voa torto.
E uma andorinha só diz: vocês verão.
Júlia Carvalho
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