A cidade grande continua sendo palco de muitas histórias das quais participo e as vezes só sou expectadora. Mas, o melhor desses espetáculos são quando seus personagens não percebem a sua graciosidade e a ingenuidade toma conta da cena. Hoje, no ponto de ônibus, vi duas senhorinhas iguaizinhas, se não eram gêmeas, eram no mínimo irmãs. Cabelos branquinhos, presos no estilo Marina, sandália ortopédica e vestidos de florzinhas pequenas. Vestidas quase iguais, diferenciavam-se apenas na estampa da roupa. Bem serelepes afirmavam para uma outra Senhora, essa um pouco mais moderna na idade e no figurino, que “viver em prédio não é coisa de gente” e partilhavam ali vantagens de viver no interior, eu concordava silenciosamente em gênero e número, inclusive o fato de ser desnecessário “mofar” nos pontos à espera de algo que nos carregue para outro lado da cidade. Após a terceira senhora desistir, não sei por qual motivo, de pegar o ônibus, as duas ficaram sentadinhas a contar os carros.
Logo apontou na ladeira um ônibus, lá vinha o Pituba R2, as duas se levantaram e deram as mãos, a de florzinhas azuis, provavelmente a mais velha, deu sinal. O ônibus parou e com o mesmo dedo que ela pediu para parar, sacudiu afirmando o engano, não era o ônibus vermelho. As duas tornaram sentar. De lá veio Nordeste, e de novo, bastou o ônibus apontar a 200 metros e elas já estavam de pé, mãos dadas, convencidas de que era aquele, novamente não foi e elas tornaram sentar. Lá vinha o terceiro ônibus e elas mal tinham se acomodado. De pé tornaram ficar para concluir que não era o Santa Cruz R1 o ônibus que elas esperavam. Na terceira sentada eu já estava virando o rosto para esconder a graça misturada com fofura que tomava conta de mim. Não estava rindo delas, estava sorrindo delas! Me sentia tão feliz ali, perto das irmãs decididas, que ao aparecer um dos últimos ônibus que faltavam na esquina, fiquei, sem maldade, torcendo para a cena se repetir e elas permanecerem mais uns minutinhos comigo, mas não teve jeito minhas amigas foram fazer não sei o que na Itinga.